Laura Marling - Alas I Cannot Swim

Laura Marling soa como ar puro nos dia de hoje. Você gosta dela - se tiver que gostar dela - não por causa de um timing musical incomun, por causa do contraste entre melodia doce e letras ácidas, por causa do seu sotaque ou por escrever músicas como quem escreve uma carta íntima e apoética para uma amiga. Uma das coisas mais incríveis em Laura Marling é, de fato, sua voz, que consegue ter força e carregar emoção ao mesmo tempo que é suave, pecando apenas pela vulnerabilidade mostrada em Ghosts, por exemplo, na qual sua voz mostra algo de infantil.
Outro ponto importante no que diz respeito a Laura Marling é o curioso fato de que se, daqui a alguns anos, algum desavisado pegar Alas I Cannot Swim nas mãos, ele não terá que pesquisar em livros sobre o estranho povo que viveu na nossa época. As histórias contadas por Laura Marling em suas músicas tratam de assuntos atemporais de uma maneira também atemporal, que é a construção de imagens poéticas, o que não tem sido o hábito de seus contemporâneos. Em Alas I Cannot Swim, música que dá nome ao álbum, o fato de não saber nadar é seu obstáculo, pois tudo está do outro lado do rio: “There’s a life across the river that is meant for me/Instead I live my life in constant misery.”
Algo inovador em tempos de Regina Spektor- que canta bem, compõe como poucos, mas tem um timing exótico que eu adoro - Kate Nash e Lily Allen (mesmo eu amando de paixão a primeira, gostando muito da segunda e “curtindo” a terceira). Não é que Laura Marling esteja desvencilhada de tudo o que elas trouxeram. Na verdade, os melhores momentos de Laura Marling são os mais carregados dessa influência, como o refrão de The Captain And The Hourglass e Cross Your Fingers, uma das mais pops do CD.
É empolgante pegar um CD como Alas I Cannot Swim nas mãos. A principal diferença talvez seja que, com essas características atemporais, Laura Marling dá a impressão de que, embora já seja muito talentosa, ainda vai amadurecer e nos impressionar muito, enquanto Kate Nash e Lily Allen deixam transparecer que nos conquistam somente pela juventude. A maturidade pode ser linda, gente! Basta pensar da regravação que Joni Mitchell fez de Both Sides Now!
Clipe de… My Manic and I (sinceramente, amo todas e não
gostei muito do único vídeo que achei de The Captain…)




