Pessoas calças curtas

Não lembro de muita coisa do começo da  minha segunda infância, mas me lembro que tinha medo de perder minhas roupas. Tinha medo de crescer sem perceber até as mangas e as calças ficarem curtas e anunciarem a tragédia. Até minha mãe decidir resolutamente passá-las adiante, para alguém que nunca amaria aquelas calças e vestidos como eu.

Tenho me sentido sozinha. Procuro conforto nos panos de pele de pessoas que um dia fizeram com que eu me sentisse uma criança, uma adulta, uma santa, ou uma puta. Mas elas já não servem mais. Não estão mais aqui. Coloquei-as na caixa de doações.

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Covers do YouTube

Já procuraram vídeos de covers no YouTube? É meio irritante, especialmente se você gosta de um tipo de música que agrega pessoas irritantes como é o caso da música “alternativa”. No geral, são pessoas nada mais que afinadas com cortes de cabelo padrão e jeitinho blasé, que, numa tentativa de mostrar personalidade, cantam de forma linear, tirando toda a alegria de viver. É bem chato.

A parte boa é que, vez ou outra, você topa com coisas fofas e divertidas. Como este vídeo da Hannah Anderson, uma ex-participante do American Idol, com a irmã dela. O cover é da música Sophia, da Laura Marling.

Cover de Sophia, da Laura Marlinha

Hannah e Sophia

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Resoluções de Ação de Graças

Desde que comecei a namorar, minha estante passou por mudanças consideráveis. Primeiro vieram Persépolis, da Marjane Satrapi, e Maus, de Art Spiegelman, ambas aclamadas autobiografias. Aí, ao perceber que dava para ler graphic novels e ainda assim inspirar algum respeito, li Nova York, do Will Eisner, que reúne crônicas lindas sobre a vida nas grandes cidades. Foi minha perdição!

Agora, no final de 2011, percebo que, dos 47 livros que li neste ano, cerca de 35 são graphic novels, tirinhas ou picture books. A lista vai desde livros fora de série como Cicatrizes (David Small), Fun Home (Alison Bechdel) e Shadow (Suzy Lee) até os superestimados, como Retalhos (Craig Thompson), e mambembes, que é o caso de Scott Pilgrim (Bryan Lee O’Malley).

Enfim, a coisa degringolou de tal forma que, ao ver esta capa de Thanksgiving de uma New Yorker de 2006, eu soube sem sombra de dúvida que era do Chris Ware, autor de Jimmy Corrigan, graphic novel que, aliás, eu dei de presente para o grande culpado por tudo isso.

Sei que ainda não chegou o momento de fazer resoluções, mas pretendo equilibrar mais as coisas daqui pra frente.

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Lego!

Nas palavras do próprio ilustrador: ILOVEDOODLE is a home studio of illustrator and visual artist, Lim Heng Swee. Thru illustrations and designs, I hope I’ll be able to doodle a smile on people’s face.”

Via My Modern Met, que é uma espécie de blog colaborativo com coisas bacanas aleatórias.

 

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Biografias em pictograma

Dica do Graphic Side of Life, destaque no WordPress hoje. Do estúdio H-57.

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How to Grace Kelly

Sou uma pessoa quieta. Não entram na conta as, vá lá, poucas vezes em que bebi demais e dei vexame, embora, curiosamente, essas vezes envolvam quase sempre as mesmas pessoas, o que pode não contar a meu favor. Mas, de costume, sou quieta, do tipo que prefere fazer uma ligação, ou andar até a pessoa com quem quero falar a berrar seu nome aos quatro ventos. Também sou reservada. Só conto minhas aflições físicas ou mentais para três pessoas desafortunadas o suficiente para desfrutarem desse “privilégio”. Já sobre minhas alegrias falo com cautela, pois acho feio me gabar. Por fim, sou formal. Faço poucas perguntas para conhecidos não por falta de interesse, mas por considerar questionários invasivos. Apelidos, então… Preciso de pelo menos um ano de convívio para me sentir confortável com eles.

Antigamente, como Glorinha Kalil poderia confirmar, me chamariam de chic[érrima]. Hoje em dia, porém, sou apenas tapada. Em uma entrevista de emprego, semana passada, fui desprezada. A única pergunta que a recrutadora dispensou para mim foi sobre o porquê de eu ter escolhido jornalismo, profissão que, a seu ver, está em completo desacordo com o meu perfil. Em outro processo seletivo, sugeriram que os candidatos se apresentassem com um vídeo no facebook. Mais de uma pessoa quis saber se poderia usar o mesmo feito para inscrições no Big Brother 12. Acho que os jornalismos de celebridade e sensacionalista são os principais culpados por essa percepção de que jornalistas devem ser prioritariamente caras-de-pau, expansivos e politicamente incorretos (fascistas?) em vez de estudiosos e observadores com alguma intimidade com a língua pátria.

Ironicamente, foi ao lembrar de Grace Kelly, celebridade notoriamente introvertida, que comecei a me sentir melhor.

Let's Grace Kelly! (Fotos: Howell Conant)

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Hedi Slimane


De Hedi Slimane, um dos meus fotógrafos favoritos.

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Chloe Aftel

 

Fotos tiradas com polaroid por Chloe Aftel.

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Na espera

Faz um tempo, ganhei uma Diana Mini. Amei, mas não lembrava de a fotografia analógica pesar tanto no bolso. Provavelmente porque costumava pesar no do meu pai e não no meu, e como não tinha essa história de câmera digital, também não tinha como comparar. Era o que era e todo mundo estava ok com isso. Então, nos últimos dias decidi encarar as fotos com a Diana Mini da mesma forma como encaro os livros que chamam minha atenção. Não tenho dinheiro, mas compro mesmo assim porque me faz bem. Procuro descontos, parcelo 20 reais em 3 vezes. Enfim, dou um jeito.

No caso das fotos, dar um jeito passou a incluir tentativas de ganhar piggies, que são uma espécie de moedas de desconto na loja da Lomography. Passei vários dias traduzindo textos até a madrugada, mas, passada a euforia inicial, confesso que a “competição” tem se mostrado selvagem demais para alguém com o meu temperamento, e a recompensa, um tanto lenta para meu nível de ansiedade. Enquanto ela não vem, o que tem sido legal é meu interesse renovado no assunto. Estou lendo um livro de fotografia escrito em 1981 e tenho fuçado bastante na internet.

Um blog interessante que encontrei foi o 500 Photographers, by Pieter Wisse, com uma seleção muito boa de fotógrafos contemporâneos, em especial fotojornalistas e fotodocumentaristas.

Da série Nothing to hold on to, sobre as pessoas que se penduram nos trêns em Bangladesh por falta de dinheiro para pagar a passagem. De GMB Akash.

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Esqueceram de Mim, Mona Lisa e Pete Doherty

Quando eu era pequena, um dos meus filmes favoritos era Esqueceram de Mim 2. Não sei se por conta da minha paixonite pelo Macaulay Culkin, ou porque gostava muito do Natal, ou ainda se simplesmente pelo fato de a Globo ter transformado esse filme num ritual. Acho que era a soma dos três. Qualquer que seja a razão, minha irmã e eu ficamos felizes da vida quando soubemos que teríamos a chance de conhecer o hotel Plaza, o Central Park e, em especial, a árvore de Natal do Rockefeller Center.

Eu estava com uns 12 anos e já tinham começado a estragar a série com o Esqueceram de Mim 3, mas, ainda assim, foi bem bacana descobrir que Perdido em Nova York também era tradição natalina nos EUA, e entender o quão bravo o pai do Kevin McCallister deve ter ficado ao ver a conta do Plaza, já que um mero brunch lá custava mais que a diária do nosso hotel. O que eu mais queria, no entanto, era ficar bem de frente para aquela árvore de Natal enorme, olhar pra cima e fazer um pedido.

Bem, depois de passar muito tempo esmagada em uma fila, até consegui ficar de frente para a árvore, mas, no meio da muvuca e em clima de vamos-em-frente-que-atrás-vem-gente, aquele meu momento íntimo e epifânico nunca aconteceu.

Alguns anos mais tarde, a mesma coisa se passou com a Mona Lisa, no Louvre

Quando fui ver a Laura Marling no Natura Nós deste ano, percebi que shows resultam em situação parecida. É claro que assistir pela tevê não é a mesma coisa, e é claro que ouvi-la cantar Alas I Cannot Swim foi inesquecível, mas outra coisa que não vou esquecer  tão fácil é que, bem ao meu lado, um inglesinho nojento combinava com a namorada de dar cotoveladas em quem estivesse na frente. Coisa fina.

Por isso mesmo, ao saber que Pete Doherty não vem mais para o Brasil, fiquei dividida. A realidade, ainda que cheia de surpresas desagradáveis, é válida, mas, no geral, sonhos são bem mais satisfatórios.

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