Archive for Maio 31st, 2008
Ensaio sobre o que ouvi de Anywhre I Lay my Head, da Scarlett Johansson
Faz um tempo – para dar uma idéia desse tempo, eu ainda assistia ao Cineview do Telecine, pois ele ainda era apresentado pela Renata Boldrini – o José Wilker comentou que diretores costumam levar as pessoas ao cinema, mas não os atores. De repente, alguns nomes começaram a surgir na minha cabeça. Eram nomes como, por exemplo, Johnny Depp, Tom Hanks e Reese Witherspoon, que, de alguma forma, me fizeram lembrar da palavra “rentáveis”. Pode parecer que não, mas tudo aconteceu rapidamente, de modo que, em questão de segundos, eu dizia para a televisão: “CAPAZ!”
Depois passou a vontade de contrariar alguém que simplesmente não iria retrucar e eu comecei a pensar na enunciação e não no enunciado em si. Diretores costumam levar as pessoas ao cinema devido principalmente a sua visão de mundo, enquanto os atores costumam fazê-lo por serem sinônimo de uma atuação tão fantástica que já valerá o ingresso, como é o caso de Johnny Depp interpretando o Capitão Jack Sparrow na trilogia Piratas do Caribe.
Depp, aliás, que sem dúvida é um grande ator que, se não faz valer o ingresso, ao menos alivia o sofrimento de assistir a filmes como A Janela Secreta, é um bom exemplo para mostrar que atores também deveriam levar as pessoas por sua visão de mundo. Para não extender muito o assunto que, “ou muito me engano” ou já foi extendido, basta dizer que não é à toa que, nas palavras do próprio Tim Burton, a relação deles só não seja AINDA sexual. Tenho um palpite de que sentimos a identificação de um ator com uma visão de mundo e é por isso que ver Audrey Tautou em O Código daVinci é tão cruel para alguns.![]()
Outra atriz que sempre me levou ao cinema por representar uma visão de mundo e que, também como Johnny Depp, parece ter descoberto uma forte ligação com um diretor, no caso, Woody Allen, é a Scarlett Johansson. De certa forma, é isso, isto é, a escolha de filmes como Ghost World e Encontros e Desencontros, que fez com que eu achasse normal como um próximo passo e não irritante ela decidir gravar um CD. Para mim, foi o mesmo caso de Juliette Lewis com sua banda Juliette and The Licks: algo lógico e natural. Mas, já que a comparação foi feita, a realização pessoal de Scarlett é tão boa quanto a de Juliette?
Achei melhor. Algo contrário a todas as críticas que Scarlett tem recebido, principalmente em relação a sua voz, que não é ruim, mas apagada e apática enquanto canta versos de Tom Waits com uma banda multiinstrumentista. É o que eu acho também, mas ainda assim, de modo geral, eu gostei, pois as letras de Tom Waits são realmente muito boas e a banda que acompanha Scarlett também.
É como se minha identificação com suas músicas se desse da mesma maneira que minha identificação com seus filmes porque a verdade é que a atuação de Scarlett Johansson, assim como sua voz, raramente me impressionou, mas suas músicas, também como seus filmes, podem ser incríveis mesmo assim.
Observações finais: Iria contra a identidade do CD, mas é REALMENTE uma pena Summertime (cliquem, cliquem), do CD Unexpected Dreams: Songs From the Stars, não aparecer como faixa bônus…
Notas sobre Laura Marling
“Quite a nice voice, plummy and deep, as if her voice was pure, as if she’d never had a filling.The complexion of a white peach. She’s worth it, this one. She’s the one I’ve waited for.” excerto de Notas sobre um Escândalo.
E é só isso que direi. Para que falar mais quando o Last Knit o fez tão bem aqui?