Esqueceram de Mim, Mona Lisa e Pete Doherty

Quando eu era pequena, um dos meus filmes favoritos era Esqueceram de Mim 2. Não sei se por conta da minha paixonite pelo Macaulay Culkin, ou porque gostava muito do Natal, ou ainda se simplesmente pelo fato de a Globo ter transformado esse filme num ritual. Acho que era a soma dos três. Qualquer que seja a razão, minha irmã e eu ficamos felizes da vida quando soubemos que teríamos a chance de conhecer o hotel Plaza, o Central Park e, em especial, a árvore de Natal do Rockefeller Center.

Eu estava com uns 12 anos e já tinham começado a estragar a série com o Esqueceram de Mim 3, mas, ainda assim, foi bem bacana descobrir que Perdido em Nova York também era tradição natalina nos EUA, e entender o quão bravo o pai do Kevin McCallister deve ter ficado ao ver a conta do Plaza, já que um mero brunch lá custava mais que a diária do nosso hotel. O que eu mais queria, no entanto, era ficar bem de frente para aquela árvore de Natal enorme, olhar pra cima e fazer um pedido.

Bem, depois de passar muito tempo esmagada em uma fila, até consegui ficar de frente para a árvore, mas, no meio da muvuca e em clima de vamos-em-frente-que-atrás-vem-gente, aquele meu momento íntimo e epifânico nunca aconteceu.

Quando fui ver a Laura Marling no Natura Nós deste ano, percebi que shows resultam em situação parecida. É claro que assistir pela tevê não é a mesma coisa, e é claro que ouvi-la cantar Alas I Cannot Swim foi inesquecível, mas outra coisa que não vou esquecer  tão fácil é que, bem ao meu lado, um inglesinho nojento combinava com a namorada de dar cotoveladas em quem estivesse na frente. Coisa fina.

Por isso mesmo, ao saber que Pete Doherty não vem mais para o Brasil, fiquei dividida. A realidade, ainda que cheia de surpresas desagradáveis, é válida, mas, no geral, sonhos são bem mais satisfatórios.

One response to “Esqueceram de Mim, Mona Lisa e Pete Doherty

  1. benezer

    Notícia de capa da Veja da semana passada (sobre o nascimento do bebê #7bi) já aponta para a perspectiva de que teremos cada vez menos esse momento epifânico de contemplação solitária. Como as políticas de entrada VIP no Brasil mostram na prática, só teremos espaço se pagarmos a mais por ele.

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