Não lembro de muita coisa do começo da minha segunda infância, mas me lembro que tinha medo de perder minhas roupas. Tinha medo de crescer sem perceber até as mangas e as calças ficarem curtas e anunciarem a tragédia. Até minha mãe decidir resolutamente passá-las adiante, para alguém que nunca amaria aquelas calças e vestidos como eu.
Tenho me sentido sozinha. Procuro conforto nos panos de pele de pessoas que um dia fizeram com que eu me sentisse uma criança, uma adulta, uma santa, ou uma puta. Mas elas já não servem mais. Não estão mais aqui. Coloquei-as na caixa de doações.

Estou com ódio do seu pé. Desde sempre você usa essas sandálias para poder mostrar a todos seus dedos gregos. Que ódio! Você está um castiguinho sentada aí no banco.
Você já era linda desde criança.