How to Grace Kelly

Novembro 15, 2011 § 4 comentários

Sou uma pessoa quieta. Não entram na conta as, vá lá, poucas vezes em que bebi demais e dei vexame, embora, curiosamente, essas vezes envolvam quase sempre as mesmas pessoas, o que pode não contar a meu favor. Mas, de costume, sou quieta, do tipo que prefere fazer uma ligação, ou andar até a pessoa com quem quero falar a berrar seu nome aos quatro ventos. Também sou reservada. Só conto minhas aflições físicas ou mentais para três pessoas desafortunadas o suficiente para desfrutarem desse “privilégio”. Já sobre minhas alegrias falo com cautela, pois acho feio me gabar. Por fim, sou formal. Faço poucas perguntas para conhecidos não por falta de interesse, mas por considerar questionários invasivos. Apelidos, então… Preciso de pelo menos um ano de convívio para me sentir confortável com eles.

Antigamente, como Glorinha Kalil poderia confirmar, me chamariam de chic[érrima]. Hoje em dia, porém, sou apenas tapada. Em uma entrevista de emprego, semana passada, fui desprezada. A única pergunta que a recrutadora dispensou para mim foi sobre o porquê de eu ter escolhido jornalismo, profissão que, a seu ver, está em completo desacordo com o meu perfil. Em outro processo seletivo, sugeriram que os candidatos se apresentassem com um vídeo no facebook. Mais de uma pessoa quis saber se poderia usar o mesmo feito para inscrições no Big Brother 12. Acho que os jornalismos de celebridade e sensacionalista são os principais culpados por essa percepção de que jornalistas devem ser prioritariamente caras-de-pau, expansivos e politicamente incorretos (fascistas?) em vez de estudiosos e observadores com alguma intimidade com a língua pátria.

Ironicamente, foi ao lembrar de Grace Kelly, celebridade notoriamente introvertida, que comecei a me sentir melhor.

Let's Grace Kelly! (Fotos: Howell Conant)

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§ 4 Responses to How to Grace Kelly

  • Adorei esse texto ananda!
    Eu sou uma pessoa que berra de vez em quando, mas muito mais por êxtase do que pela necessidade de atrair atenção.
    Aliás, dar uns gritos de vez em quando é libertador!
    =D

  • Posso falar? Você é incrível. Não me lembro da primeira impressão que tive de você, com certeza os adjetivos “quieta” e “tapada” (sorry, estou usando suas próprias palavras!) devem ter passado pela minha cabeça (afinal, você sabe, sou insolente!), mas aprendi a te admirar, ainda mais depois de descobrir que por trás de toda essa quietude havia opiniões e sentimentos tão parecidos com os meus. Passamos por situações em que só tínhamos uma a outra para desabafar, e ainda bem que você estava lá!
    Admiro também a sua inteligência, suas referências tão pouco convencionais que me faziam dizer “oh!” a cada texto seu que eu lia (e ainda fazem, ao ler o seu blog), e o seu senso de humor tão peculiar, este mais aparente em nossas trocas de e-mails.
    Sinto falta de pouca coisa daquela época, mas você com certeza é uma delas.
    E azar de quem não te contratou.
    Beijos

    • Ananda Almeida diz:

      Você é uma das minhas personagens favoritas da vida! Seu mau humor é cinematográfico. Sinto falta dele e de você.
      E obrigada pelas lindas palavras rs.

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