A relação entre pais e seus descendentes

Julho 1, 2012 § 9 comentários

Quando vi  “Os Descendentes” no cinema, quis muito ler o livro. Precisava de alguma coisa pra curtir na “empolgação do momento”, já que os livros que eu adquirira há pouco, de tanto que ficaram nas listas de desejos e carrinhos de compras por aí, já haviam me enchido os picuás. Em tempo, um dos melhores conselhos que recebi este ano foi para esquecer os planos de leitura que colocam os exemplares velhos na frente dos novos. Depois que um livro vai para a estante acaba a novidade, e ele cai na categoria não menos lisonjeira, embora muito mais incerta de “leio quando estiver no estado de espírito”.

Ganhei o livro da escritora Kaui Hart Hemmings e gostei. A edição brasileira, da Alfaguara, parece ter sido feita às pressas para conseguir acompanhar o lançamento do filme, o Oscar, etc. Tem alguns erros de concordância e adaptações bizarras como a da cena na praia, na qual a Alex, uma garota de 17 anos, usa o termo pitéu, e ainda explica o significado para o pai, Matt King. “Uma mulher com boa aparência”, ela diz, “Gostosa”. Enfim, desde que larguei Letras isso deixou de ser problema meu.

A história, porém, é bonita, em especial pela forma como é contada. Como no filme, em primeira pessoa, pelo cara que, depois que sua mulher entra em coma, tem que assumir o papel de pai. É curioso porque, de costume, a figura paterna pode ser superprotetora, severa, amalucada, ausente… e embora muitas vezes precise de um empurrãozinho de alienígenas, dinossauros, forças sobrenaturais, morte, doença e momentos difíceis de maneira geral para conhecer melhor os filhos e criar laços com eles, quase nunca parte de extremos que crianças e adolescentes conhecem bem. Verbalizar a raiva pelos familiares ou o desejo de que eles não existissem é privilégio dos herdeiros, afinal, ninguém pede para nascer.

Não é que Matt King desgoste das filhas. Ele apenas não as conhece direito, mas, em sua cabeça, confirma ao leitor aquela suspeita insistente que mais cedo ou mais tarde acomete os filhos que possuem um relacionamento distante com os pais: a de que, talvez, não sejam sempre vistos por seus progenitores através dos filtros do amor incondicional, o que é desconcertante. Por outro lado, é sempre mais legal descobrir que se gosta realmente de alguém, apesar do parentesco.

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§ 9 Responses to A relação entre pais e seus descendentes

  • Glaucia diz:

    Agora fiquei com vontade de ler o livro em inglês. Gostei muito do filme, que conseguiu não ser um clichê sobre o relacionamento entre pais e filhos. Mas o mérito só pode ser do livro, afinal hoje em dia 99% dos filmes são adaptaçōes. Vou checar enquanto estiver esperando o 4° livro do Game of thrones.

  • Glaucia Almeida diz:

    Às vezes eu sinto que as palavras em outra lingua são mais profundas. Tenho que aprender a valorizar o português.

  • Ana diz:

    “um dos melhores conselhos que recebi este ano foi para esquecer os planos de leitura que colocam os exemplares velhos na frente dos novos.” – http://youtu.be/gHl8IqCqza8

    Em tempo… Glau, dê uma chance para que nossa bela Flor do Lácio floresça em seu coração!

  • Marcel diz:

    Esse filme achei engraçado (não cheguei a ler o livro) mas a primeira vez que vi a história acontecendo já imaginei uma coisa complemente clichê, mas não é que me surpreendeu, acho que eles fizeram tudo para você chegar a pensar na relação ser a mais explorada na tela.
    Muito bom o texto e esse poster minimalista é muito bacana.

    • Achei uma boa adaptação. Ah! Um fato besta, mas engraçadinho. No livro, a Scottie, filha mais nova do personagem interpretado pelo George Clooney, é fã do George Clooney rs. Nada relevante para a história e tal, mas achei curioso rs.

  • Glaucia Almeida diz:

    Li e gostei bastante. Entendi o que você quis dizer com a pressa para lançar o livro. Mas o conteúdo é o que importa e fiquei feliz de ter acatado sua sugestão. Estou ansiosa para sua próxima crítica.

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