Adivinhações e conclusões

Julho 6, 2012 § 2 comentários

Em janeiro deste ano, o New York Times publicou uma matéria sobre o fim de amizades chamada “It’s Not Me, It’s You”. Apesar do título manjado, o texto é interessante, com dados sobre os picos de amizades na vida de uma pessoa normal, além de uma porção de histórias de pessoas que terminaram uma amizade por um motivo ou outro, dessa ou daquela maneira, com direito a insights de psicólogos sobre cada técnica, coisa que, para o leitor experiente, já serve de alerta para o tipo de material que ele tem em mãos: aquele cuja linha fina promete ensinar o que fazer em determinada situação só para em seu desenlace lançar mão de uma variante da máxima “cada um é cada um” e, por que não, “cada caso é um caso”.

Mas a verdade é que, depois de algumas entrevistas de emprego sem resposta, me peguei pensando no texto. “Eu queria ter lidado com isso de forma diferente”, disse uma entrevistada que a matéria afirma ter usado a técnica do cafajeste, “Acho que você deve isso para a pessoa, em vez de deixá-la tentando adivinhar”.

Pois eu pensei e chorei muito, e, após análise junguiana, concluí que o problema todo está na falta de confiança e de completude das empresas, que não se garantem como o Prince e não cantam pra mim “You don’t need experience to turn me out. You just leave it all to me, I’m gonna show you what it’s all about”.

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§ 2 Responses to Adivinhações e conclusões

  • Glaucia Almeida diz:

    Só pelo tamanho do texto da matéria mencionada consigo ver em você uma pessoa destemida que não foge a um desafio. Em comparação, creio que os meios mais populares no Brasil são justamente aqueles de poucas palavras e pior ainda de pouco conteudo. Não é o sue caso. Pessoalmente, eu gostaria que as empresas contratassem pessoas como você que conseguem passar idéias complexas com uma simplicidade, coerência e sempre respeitanto o português. Talvez o objetivo seja apenas vender coisas não idéias ou cultura, talvez o público brasileiro precise melhorar seus padrōes, muitos talvez, mas uma coisa é certa “it’s not you, it’s them”. Boa sorte para nós que estamos nas mãos desse tipo de empresa.

  • Ana diz:

    Vou ser chata e discordar um pouquinho da Glau: não acho que este problema seja privilégio do Brasil. Twitter (curto, seco e sem conteúdo) faz sucesso no mundo todo. O “internetês” afeta vários idiomas (se não todos do mundo capitalista ocidental!). As imagens, além de dizerem mais que 1.000 palavras, geram muito mais “clicks”. Vivemos a época do “too long, didn’t read”. São tempos sombrios estes.

    E eu adoraria que pessoas que conseguem, num mesmo texto, ir de New York Times a Prince, passando por Jung, tivessem chances de compartilhar suas ideias com o maior número de pessoas possível. Aliás, gostaria que nós é que tivéssemos chances de ter acesso a ideias bacanas assim. Mas… isto não gera cliques, né? Ainda bem que falta pouco. Dezembro de 2012.

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